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.Pantanal
- História
Estudos sobre a ocupação humana da
área correspondente aos pantanais indicam que,
no mínimo há 8000 A. P. (antes do presente), a
região já era habitada por indígenas.
Os primeiros homens brancos
chegaram em 1524, quando ocorreu a primeira
expedição de reconhecimento da região. Subindo
o rio Paraguai, chegaram até a barra do rio
Miranda, no atual MS. Pelo Tratado de
Tordesilhas, o Pantanal pertencia aos espanhóis.
Estes depararam-se com um território ocupado por
sociedades indígenas, Guarani em sua maioria.
Entretanto, com as descobertas das minas de ouro
e prata no Peru e no México, a colonização da
região pantaneira não foi prioridade.
A partir da segunda metade
do século XVI, os bandeirantes paulistas foram
se interiorizando pelo Brasil, alcançando as
áreas sob o domínio espanhol, desbravando essas
terras com a finalidade de capturar indígenas
para a escravização e em busca de pedras e
metais preciosos. Deste modo, chegaram à chapada
cuiabana no início do século XVIII, seguindo
pelos rios Tietê, Paraná e afluentes do
Paraguai. A descoberta dos aluviões de ouro em
Cuiabá, às margens do rio Coxipó, atraiu um
contigente populacional, dando início a um
período de sangrentos conflitos entre
bandeirantes e os tradicionais habitantes da
terra: as comunidades Bororo, Paiaguá (os
índios canoeiros, hoje já extintos), Guató
(atualmente ocupantes da Ilha Insua, Mato Grosso
do Sul), Guaikuru (ascendentes dos Kadiweo),
entre outros.
Estas comunidades
resistiram à invasão de seus territórios, (a
Leste a pressão lusitana, a Oeste, a espanhola),
constituindo um sério entrave à colonização;
algumas sociedades foram levadas à extinção e
outras, empurradas para regiões mais interiores,
rumo às áreas de menor interesse econômico.
Em 1750, o Tratado de
Madri, oficializou a incorporação de vastas
possessões espanholas ao território colonial
português. As disputas com os espanhóis pela
consolidação e ampliação das fronteiras
nacionais levou os colonizadores luso-brasileiros
a erguerem fortalezas militares como o Forte
Coimbra (1775), nas proximidades de Corumbá;
vários núcleos e vilas surgiram nesse contexto:
Corumbá, São Pedro del Rei (Poconé), Vila
Maria do Paraguai (Cáceres) e Miranda. No
entorno das minas, instalaram-se atividades
econômicas visando o abastecimento do incipiente
mercado consumidor: pequenos engenhos de cana,
lavoura e pecuária, contribuindo para a
ocupação gradual do território.
A partir do momento que as
populações indígenas deixaram de constituir
obstáculo à colonização e com o declínio dos
aluviões, tornava-se necessário garantir a
posse definitiva dessa região fronteiriça.
Mesmo antes do Tratado de Madri, surgiram em 1727
as primeiras sesmarias. As sesmarias eram
propriedades doadas pela coroa portuguesa a quem
pudesse comprovar a posse de recursos, como
mão-de-obra, para a ocupação do território, e
destinava-se à grande lavoura e à criação de
gado. "Traduzia a exploração econômica da
terra de maneira rápida; e fundamentou a
organização social e de trabalho implantada no
Brasil, com a fazenda, isto é, a grande
propriedade latifundiária, monocultora e
escravagista" (Diégues Jr., op. cit.).
As primeiras terras doadas
foram as mais próximas das minas, alcançando
progressivamente a serra da Bodoquena.
Surgiram no Pantanal
grandes fazendas de pecuária extensiva que,
associadas a fatores ambientais como a
existência de pastagens naturais, consolidaram
uma estrutura de latifúndios. Em pouco tempo, as
cabeças de gado, que não existiam na América
antes da chegada de Colombo, já eram contadas
aos milhares, e a seleção natural permitiu o
surgimento de uma raça bovina bem adaptada ao
meio ambiente: o boi pantaneiro.
De 1864 a 1870, o Pantanal foi palco
do mais cruento conflito da América do Sul: a
Guerra do Paraguai. Os atores deste embate, de um
lado a Tríplice Aliança formada por Uruguai,
Argentina e Brasil, mais o apoio britânico, e do
outro, o Paraguai. Liderados por Solano Lopez, os
paraguaios invadiram o Mato Grosso, conquistando
cidades de Corumbá a Cáceres, provocando o
êxodo dos fazendeiros e da população urbana
para Cuiabá. Apesar da ofensiva paraguaia, o
poderio da Tríplice Aliança com os reforços do
capital inglês, foi vitorioso. Pouco sobrou das
cidades e fazendas pantaneiras. O gado que
sobreviveu estava disperso e selvagem. Após a
guerra, ao mesmo tempo que os antigos povoadores
retornavam de Cuiabá, houve um grande afluxo de
capital estrangeiro, uma redivisão das imensas
propriedades rurais e a reabertura da navegação
fluvial do rio Paraguai até o estuário do
Prata, entre Buenos Aires e Montevidéu.
Como resultado da guerra e
da derrota do Paraguai, o Brasil ampliou seu
território na região, incorporando cerca de
47000km² de terras que pertenciam ao Paraguai,
uma área superior à de países como a Suíça
ou a Dinamarca. Uma parte dessa área conquistada
integra o chamado Pantanal mato-grossense.
Após a reabertura da
navegação no rio Paraguai, antigos engenhos nas
margens do rio Cuiabá, transformaram-se em
usinas de açúcar, através da importação de
equipamentos europeus. Atendiam a demanda
regional de Mato Grosso. Estas usinas
permaneceram em atividade até quase a metade do
século XX, quando com a abertura da estrada de
rodagem ligando Cuiabá a São Paulo, o açúcar
paulista penetrou no mercado mato-grossense,
provocando a decadência das refinarias.
As primeiras atividades em moldes
industriais no Pantanal estavam relacionadas à
pecuária. Em meados do século XIX instala-se na
Fazenda Descalvados, às margens do rio Paraguai,
em Cáceres, MT, uma fábrica de extrato e caldo
de carne, utilizando-se, inclusive, a
mão-de-obra indígena. Na Fazenda Barranco
Vermelho, também em Cáceres e às margens do
rio Paraguai, existiu um curtume e uma fábrica de beneficiamento de chifres para a
fabricação de guampas. Apesar de ser uma área
onde predominavam os latifúndios voltados ora
para a pecuária, ora para a cana-de-açúcar,
existiam espaços ocupados por pequenas
comunidades camponesas, quilombolas e indígenas,
as quais podiam ali desenvolver a lavoura, a
caça e a pesca artesanal, além da fabricação
da rapadura e da farinha.
Com o parcelamento das antigas
sesmarias em virtude das partilhas hereditárias
e com a incorporação da região aos grandes
projetos de desenvolvimento, a propriedade rural
foi hiper-valorizada. O resultado foi o aumento
dos conflitos fundiários, com a expulsão das
comunidades humanas tradicionais para as áreas
ribeirinhas. Isso reduziu as alternativas de
subsistência dessa população, trazendo o
empobrecimento e a dependência da pesca para a
sobrevivência.
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