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Parque Estadual Intervales - História

Falar na história de Intervales é falar da região na qual o parque está inserido, no cruzamento entre três culturas: a do índio, a do europeu e a do africano.

Muito antes da chegada dos europeus, populações autóctones cruzavam as serras do litoral para o sertão e vice-versa, desenhando trilhas por sobre a floresta.

Como a transmissão da história das populações indígenas está baseada na tradição oral, o extermínio do autóctone restringiu a sua história às possibilidades de tradução e interpretação de vestígios arqueológicos ou ao relato de jesuítas, viajantes e bandeirantes após o Contato. Estes, reordenaram o mundo e a linguagem do índio, como ocorreu com a língua tupi-guarani.

Jesuítas espanhóis, utilizando-se dos itinerários indígenas, chegaram até o Vale do Paranapanema onde fundaram as primeiras missões. Do outro lado da serra, no Vale do Ribeira, lavrava-se ouro de aluvião.

As freqüentes incursões bandeirantes às reduções jesuítas foram responsáveis pela transferência de muitos desses aldeamentos para a província argentina de Missões, entre o alto curso do rio Paraná e o alto curso do Paraguai. No Vale do Ribeira, a atividade mineradora existente desde a segunda metade do século XVI, baseava-se na exploração da mão-de-obra escrava e foi praticada quase sem o controle metropolitano até 1702, quando do Regimento das Minas, o qual obrigava a comunicação da descoberta e da exploração da lavra às autoridades coloniais.

A fiscalização metropolitana, a decadência do ouro aluvional no Vale do Ribeira e o advento das minas de ouro e diamantes em Goiás, Mato Grosso e principalmente em Minas Gerais, pressionou proprietários de lavras e de escravos a mudarem-se para outras regiões, deixando para trás parte de sua escravaria, como escravos fugitivos, os quais não puderam ser capturados, e alguns alforriados.

Neste contexto estão as comunidades remanescentes de quilombos das áreas do entorno de Intervales. Um exemplo é a organizada comunidade de Ivaporunduva, a qual possui como testemunho de seu passado a capela de N. Sra do Rosário, construída por escravos em 1791 e os cemitérios escondidos no coração da mata.

Na Segunda metade do século XX, a Companhia do Incremento Rural do Altiplano Paulista CIRAP instalou-se em plena serra de Paranapiacaba, para a implantação de um projeto agropecuário que não foi bem sucedido, perdendo suas terras para o Banco do Estado de São Paulo, BANESPA. Esta instituição, visando o aproveitamento econômico da área, implementou obras de infra-estrutura como a construção de estradas, de uma pequena vila com saneamento básico (o espaço da atual Sede) e de bases de vigilância.

Foi instalada na região da Sede, uma fábrica de beneficiamento de palmito cujas instalações hoje estão transformadas em oficinas mecânica, de carpintaria e almoxarifado. Apesar de existirem recursos minerais, o aproveitamento destes foi inexpressivo. Na década de 80, com a decretação da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar, a Fazenda Intervales foi a ela incorporada, passando para a administração da Fundação Florestal em 1987. Em 1995 nascia juridicamente o Parque Estadual Intervales.

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