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Problemas
O principal problema existente é o
desflorestamento de matas secundárias e nativas,
cujas árvores vão para madeireiras, para a
secagem das folhas de fumo e para as olarias.
Hoje, teme-se que, com a ampliação da reserva
indígena de José Boiteux, parte da última
reserva de araucária de Santa Catarina vá para
as madeireiras, repetindo-se a devastação
ocorrida num passado recente, onde o índio,
proprietário de suas terras, pode derrubar e
vender árvores sem a interferência restritiva
do governo.
Segundo a APREMAVI (Associação Pela Preservação do
Alto Vale do Itajaí), na
Região Sul, durante a safra de 96/97, a
indústria do fumo foi responsável por boa parte
do desmatamento; as árvores da Mata Atlântica
alimentam 122.170 estufas que consumiram 8,5
milhões de metros cúbicos de madeira; 70m³ por
estufa. Estima-se que para cada 300 cigarros
produzidos, uma árvore é queimada; um fumante
que consome um maço de cigarros por dia é
responsável pela queima de duas árvores por
mês.
Várias fazendas retiraram
a mata ciliar, desprotegendo e aumentando as
possibilidades de erosão, enchentes e de
poluição dos rios e afluentes que também
sofrem com os dejetos industrial e residencial,
principalmente no Médio e Baixo Vale; por sorte
a qualidade das águas para as atividades
esportivas no Alto Vale ainda não foi
prejudicada. Outro problema relacionado à água
é a criação de peixes integrada com a
suinocultura, provocando o aumento da população
do borrachudo e a poluição dos rios e riachos
por dejetos orgânicos.
Com incentivos
governamentais, a agricultura química chegou ao
Vale do Itajaí, na década de 1960 e tornou os
agricultores dependentes das sementes híbridas,
adubos químicos e agrotóxicos; agricultores
estes que desrespeitam até o bem estar dos
próprios filhos ao aplicarem venenos em hortas
de escolas, jardins de infância e creches. As
conseqüências são o surgimento de novas pragas
e doenças, o aumento do número de casos de
câncer e a poluição do solo e dos recursos
hídricos. Em 1987, uma pesquisa realizada pela
FUNDACENTRO apontou intoxicação por
agrotóxicos em 79,3% dos 563 fumicultores e seus
familiares examinados.
A CELESC (Centrais
Elétricas de Santa Catarina SA), planeja
construir uma usina hidrelétrica na localidade
de Salto Pilão em Lontras-SC, aproveitando um
desnível de 190 metros do Rio Itajaí-Açu entre
Salto Pilão e Ibirama. Seria necessário desviar
o curso do rio por um túnel, numa extensão de 9
km, praticamente secando o leito na maior parte
do ano, comprometendo diretamente a economia e a
qualidade de vida no Alto Vale.
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