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Histórico
Na época da chegada do europeu, o Vale do Itajaí era povoado pelos índios Xokleng e Guarani. Os primeiros, em maioria, eram índios caçadores e ferozes defensores de seu território; teciam suas roupas utilizando fibras de urtiga e eram habilidosos construtores de arcos e flechas e não tinham tradição agrícola.

O primeiro contato com o homem causou perplexidade entre os Xokleng. Encontraram trilhas abertas de forma diferente do costume: ao invés de afastado, o mato estava cortado. Seguiram a trilha e encontraram seres estranhos acampados na praia. Esperaram o anoitecer e os atacaram; no acampamento encontraram facões e outros objetos de metal, material desconhecido até então; despiram os corpos das vítimas e após examiná-los, descobriram que também se tratavam de homens.

Aprenderam rápido a importância do metal e, também como cortá-lo para utilizá-lo nas pontas de lança e flecha, passando a atacar os acampamentos brancos em busca de artefatos metálicos.

Segundo Lothar Paul, a colonização do Alto Vale do Itajaí foi resultado da convergência de interesses de capitalistas alemães e da elite agrária paulista.

Na segunda metade do século XIX, grandes fazendeiros paulistas, criadores de gado, procuravam por novas pastagens ao sul do Brasil, tendo encontrado, especificamente no Planalto Catarinense, o tipo de gramínea ideal para a engorda do gado. Ali, na região de Lages, instalaram suas manadas.

Para comercializar o gado, os pecuaristas necessitavam alcançar o litoral, descendo pelo Vale do Rio Itajaí. Entretanto, o itinerário cruzava justamente o território Xokleng e a travessia tornava-se dispendiosa pois quase a metade das cabeças eram abatidas pelos indígenas. Diante deste prejuízo, uma comissão de representantes dos pecuaristas requereu junto a Dom Pedro II, medidas que pudessem garantir a condução segura das manadas.

Preocupados em aliviar tensões sociais em território germânico, capitalistas e senadores de cidades livres alemãs pretendiam estimular a emigração como alternativa aos conflitos iminentes. Conhecendo a necessidade brasileira de povoar seu vasto território, procuraram o governante brasileiro em busca de terras. Desta forma, firmou-se um contrato entre o Brasil e as Empresas Colonizadoras Hanseáticas, através do qual estas se encarregavam do recrutamento e transporte de imigrantes para o Brasil e o governo imperial brasileiro responsabilizava-se pela oferta de terras e garantia de apoio à instalação das novas colônias.

Como incentivo à emigração, na Alemanha, o colono comprando sua passagem de navio para o Brasil, receberia em contrapartida, 25 hectares de terra. Ocorre que para os padrões europeus, uma propriedade de 25 hectares correspondia a extensão territorial de países, quando não, de municípios. Naquela época, as nações européias disputavam fronteiras entre si, nem Itália, nem Alemanha estavam unificadas... daí o caráter irrecusável da oferta das Companhias Colonizadoras.

Dom Pedro II conciliou os interesses dos dois grupos, capitalistas alemães e pecuaristas paulistas, direcionando o fluxo migratório para o Vale do Itajaí, para o território Xokleng. O governo brasileiro não cumpriu a sua parte do acordo, deparando-se o imigrante com muitas dificuldades e a maior delas foi a resistência aguerrida dos Xokleng. Ocorreram muitas baixas, inclusive entre alemães, principalmente de mulheres e crianças. Muitos imigrantes, amedrontados, dispersaram-se para outras regiões.

Quando os pecuaristas souberam desta situação, resgataram os capitães-do-mato, conhecidos caçadores de escravos fugitivos, contratando-lhes a mão-de-obra para eliminar, para exterminar os índios.

Isto possibilitou a ocupação da área e a fundação de cidades como Ibirama, em 1897.

Não havendo mais espaço para os índios, o governo brasileiro criou a revelia destes uma reserva onde foram agrupados diferentes grupos indígenas, muitos deles hostis entre si, desrespeitando os aspectos culturais de grupos tradicionalmente caçadores, que migram em busca de caça, não conhecendo as fronteiras do branco. Para fixá-los ao território da reserva, os indigenistas ofereceram-lhes alimento gratuitamente procurando dispensá-los da necessidade da caça. O produto disto no decorrer dos anos foi o desenraizamento cultural dos Xokleng, forçando-os a abandonar suas tradições e os reduzindo à condição de dependentes da caridade do Estado.

Perdida a integração com o meio ambiente, chegaram a desmatar completamente suas áreas, motivados pelas madeireiras. Devastada a cobertura florestal, secaram-se os rios. Não havia mais madeira, não havia mais dinheiro nem o subsídio do Estado. Muitos indígenas caíram na marginalidade.

Atualmente, existe a ameaça da ampliação das reservas indígenas com a anexação da Serra da Abelha. Esta é uma região fértil sobre a qual localiza-se a última reserva de araucárias de Santa Catarina. Sem o vínculo ecológico, os Xokleng, pressionados por necessidades econômicas, poderão tornar estas áreas inóspitas e que em breve serão novamente insuficientes para seu sustento.

A eliminação dos índios, pelos pecuaristas e pelas companhias colonizadoras, possibilitou a colonização do Vale do Itajaí pelos alemães, italianos, austríacos e suíços.

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